Manutenção Painel Solar Térmico

Painel Solar Termossifão
Painel Solar Termossifão água quente sanitária

A manutenção dos painéis solares térmicos é fundamental para garantir a durabilidade do sistema, a poupança de energia e a qualidade da água.

Ânodo de magnésio

Ânodo de magnésio
Ânodo de magnésio corroído e resistência com calcário

A maioria dos depósitos dos sistemas solares térmicos são vitrificados internamente e possuem um ânodo de magnésio ou também chamado ânodo de sacrifício para proteção contra os elementos corrosivos da água. A função do ânodo é atrair as partículas corrosivas da água evitando que as mesmas “ataquem” as paredes do depósito internamente. Ao longo do tempo, e esse tempo varia em função das qualidades da água e do consumo da mesma, o ânodo vai sendo deteriorado e diminuindo a sua ação. Se não for substituído na altura devida acentua-se a degradação interna do depósito, diminuindo a durabilidade do mesmo comprometendo a qualidade da água.

Importa salientar que a ausência de problemas observados no exterior não garante que o equipamento esteja em boas condições internamente se as manutenções preventivas estiverem em falta, mesmo que se continue a obter água quente do sistema solar térmico.

Todos os depósitos necessitam de ânodo de magnésio?

A resposta é não! Existem depósito fabricados em aço inox que não necessitam de ter um ânodo de magnésio no seu interior. O aço inox não é tão afetado pelos elementos corrosivos da água e não necessita, normalmente, de uma proteção extra. No entanto, nem todo o aço inox tem a mesma qualidade e é importante certificar-se junto do fornecedor qual o melhor equipamento para o tipo de consumo e de água que irá ter. É preciso ter em conta que um depósito em aço inox é mais caro do que em aço vitrificado.

Limpeza do coletor solar

Um procedimento muito simples, mas que impacta bastante com a eficácia do sistema é a limpeza do coletor solar. O coletor solar é o painel rectangular que se vê normalmente em cima dos telhados. É esta superfície que permite a captação solar transferindo a energia para a água. É ele que na prática vai permitir o aquecimento da água.

Painel solar sujo
Painel/ coletor solar neste estado diminuiu substancialmente o seu rendimento

Ao longo do tempo a sujidade acumula-se no coletor solar devido a diversos fatores tais como poeiras, poluição, dejetos de pássaros, resinas de árvores, entre outros. Esta sujidade vai reduzir a captação solar e por sua vez a capacidade de aquecer a água. Este facto significa mais gastos energéticos devido ao aumento da utilização do sistema auxiliar de aquecimento, habitualmente gás ou eletricidade, embora existam outros.

A chuva será suficiente para limpar o coletor solar?

A chuva, embora retire alguma sujidade, normalmente não é suficiente para limpar convenientemente o coletor solar. Um exemplo desta situação ocorre nos veículos. Quando temos o automóvel cheio de pó mesmo que chova permanece uma camada de sujidade que tem de ser retirada à pressão, com um pano ou uma escova. No caso do coletor solar, não se deve utilizar a máquina de pressão e a sujidade deve ser retirada apenas com água, sem detergente, e esfregar com um pano.

Glicol

O Glicol tem como principais funções impedir a congelação do fluído solar que circula no interior do sistema primário ao mesmo tempo que permite a sua lubrificação. Verificar a quantidade e a qualidade do glicol é um dos procedimentos mais importantes para garantir a durabilidade de um sistema solar térmico.

O circuito onde circula o glicol, sistema primário, é fechado, ou seja, este fluído não entra em contacto direto com a água de consumo, embora seja a temperatura deste sistema, aquecido pela radiação solar, que vai aquecer a água através de uma serpentina própria. Quando a instalação fica sem Glicol ou o mesmo perde as suas propriedades a instalação fica em risco. Em dias muito frios, o fluido que circula dentro do sistema primário pode congelar, expandir e danificar irreversivelmente a instalação. Da mesma forma que uma garrafa de vidro cheia de água se parte no congelador, as tubagens do coletor solar podem sofrer o mesmo efeito se o fluido congelar. O resultado será a substituição do coletor, uma vez que dificilmente compensa reparar. Em climas quentes, onde raramente a temperatura se aproxima de valores de congelação, o glicol continua a ser importante devido à lubrificação e proteção que oferece ao sistema, embora nestes climas pode ter uma concentração menor quando comparando com climas frios

Todos os sistemas solares térmicos necessitam de glicol?

Existem equipamentos no mercado que possuem um sistema apenas, no qual circula a água de consumo sendo esta diretamente aquecida pela radiação solar. Nestes casos não é possível existir glicol. Estes equipamentos são menos usuais em Portugal, apresentam vantagens e desvantagens face aos sistemas mais comuns, embora a explicação das mesmas ficará para um outro artigo.

Vaso de expansão

Embora nem todos os sistemas venham equipados ou necessitem de um vaso de expansão, quando o mesmo existe na instalação deve ser devidamente inspecionado e calibrado. O vaso de expansão pode estar localizado no sistema de água de consumo e ou no sistema primário onde circula o glicol. Em qualquer circunstância a função do vaso de expansão é proteger a instalação das variações de pressão que podem ocorrer devido a aumentos de temperatura ou até mesmo de aumentos de pressão da rede de abastecimento de água. A sua correta calibração prolonga a durabilidade quer das válvulas de segurança que não têm a necessidade de entrar muitas vezes em ação, quer da restante instalação que sofre menos variações de pressão, uma vez que parte delas são “amortecidas” pelo vaso de expansão.

Válvulas de segurança, ligações

Para além dos sistemas já mencionados a manutenção preventiva pode detetar atempadamente avarias nas válvulas de segurança, fugas nas ligações e tubagens, fixações danificadas ou frágeis que podem comprometer a segurança do equipamento. Por exemplo, uma válvula de segurança que esteja sem a força necessária e deixe passar água a baixa pressão, pode significar um desperdício significativo de água ao final do mês.

Qual a periodicidade da manutenção de um painel solar térmico?

A periodicidade da manutenção preventiva de um sistema solar térmico varia em função das características da água no local, do nível de consumo, do equipamento e da temperatura de aquecimento da água.

Na maioria das instalações, recomenda-se uma manutenção anual, mas há exceções.

Por exemplo, se considerarmos um cenário em que no local da instalação a água tenha propriedades muito corrosivas, onde facilmente se verifique incrustações de calcário, ferro e outros elementos, o consumo seja elevado e normalmente a temperatura de aquecimento esteja nos 65 graus ou acima, estão reunidas as condições adversas para uma rápida degradação do equipamento, principalmente se algum elemento protetor falhar. Nestas condições é recomendado uma verificação/manutenção de 6 em 6 meses.

Por outro lado, existem situações em que a manutenção pode ser estendida para dois anos ou mais. É o caso de uma casa de férias, por exemplo, em que exista o cuidado de tapar os coletores solares nos meses de não utilização e se feche a torneira de enchimento do depósito para que o mesmo não esteja constantemente sujeito a pressão. Nestas condições o desgaste é mínimo embora seja importante, sempre que se ligue novamente o equipamento, estar atento a eventuais fugas ou a alguma anomalia no funcionamento do mesmo.